Ganja, maconha, cannabis, marijuana e cânhamo se referem à mesma planta, a Cannabis sativa. A diferença está no contexto: cannabis é o nome científico, maconha é o termo popular e jurídico em português, ganja é a palavra de origem indiana difundida pelo reggae, marijuana é o termo de origem mexicana usado nos Estados Unidos, e cânhamo designa as variedades com pouco THC, usadas para fibra, sementes e indústria.
Saber usar cada nome evita confusões em conversas, pesquisas e até em discussões jurídicas. Abaixo, a origem e o significado de cada um.

O Livro da Maconha: o guia completo sobre a Cannabis – Julie Holland
Explica a planta, seus compostos e seus usos com clareza, útil para entender a diferença entre termos populares e científicos.
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Todos os nomes falam da mesma espécie. Cannabis é o termo científico; maconha, ganja e marijuana são nomes populares; cânhamo é a cannabis com baixo THC, de uso industrial.
- Cannabis: gênero botânico descrito por Lineu em 1753.
- Maconha: palavra de origem banta, trazida por africanos escravizados.
- Ganja: do hindi gānjā, popularizada pelo reggae.
- Marijuana: termo mexicano que se espalhou nos EUA nos anos 1930.
- Cânhamo: variedades com até cerca de 0,3% de THC, sem efeito psicoativo relevante.
Resumo: a mesma planta, nomes diferentes
| Nome | Origem | Uso principal | Tem efeito psicoativo? |
|---|---|---|---|
| Cannabis | Latim, via grego kánnabis | Ciência, medicina, regulação | Depende da variedade |
| Maconha | Línguas bantas (quimbundo) | Linguagem comum e leis no Brasil | Sim |
| Ganja | Hindi e sânscrito | Cultura indiana, jamaicana e reggae | Sim |
| Marijuana | Espanhol mexicano | EUA e países hispânicos | Sim |
| Cânhamo | Latim cannabis, via português antigo | Indústria, fibra, alimentos | Não, por ter pouco THC |
Em resumo: toda maconha é cannabis, mas nem toda cannabis é maconha. O cânhamo é cannabis e não é maconha, porque não tem THC suficiente para efeitos psicoativos.
Cannabis: o nome científico
Cannabis é o nome do gênero botânico da planta. O naturalista sueco Carl Lineu descreveu a espécie Cannabis sativa em 1753, e o francês Jean-Baptiste Lamarck propôs Cannabis indica em 1785, a partir de amostras vindas da Índia. A palavra vem do latim, que a herdou do grego kánnabis.
A cannabis pertence à família das canabáceas, a mesma do lúpulo usado na cerveja. Hoje a maioria dos botânicos considera que existe uma única espécie, Cannabis sativa, com grande variação entre suas populações. É por isso que médicos, cientistas e órgãos reguladores, como a Anvisa, preferem esse termo: ele é neutro e preciso. Daí expressões como “cannabis medicinal” e “produtos de cannabis”.
Maconha: a palavra brasileira de origem africana
Maconha é o nome mais comum da planta no Brasil e o que aparece na linguagem do dia a dia, no noticiário e em decisões judiciais. A explicação mais aceita entre linguistas é que a palavra venha de línguas bantas, como o quimbundo, falado em Angola, trazida por africanos escravizados. Outros nomes antigos, como diamba, liamba e pango, têm a mesma origem.
Uma teoria popular diz que “maconha” seria um anagrama de “cânhamo”. A coincidência das letras é curiosa, mas não há evidência histórica de que a palavra tenha surgido assim. Saiba mais em história da maconha no Brasil.
Ganja: o nome indiano que virou cultura
Ganja vem do hindi gānjā e designava, na Índia, as flores secas da planta fêmea. A palavra chegou à Jamaica com trabalhadores indianos no século 19 e foi levada ao mundo pelo reggae e pelo movimento rastafári. No Brasil, é usada como sinônimo de maconha, geralmente com um tom mais cultural. O significado completo está em o que é ganja.
Marijuana: o termo mexicano que dominou os Estados Unidos
Marijuana (ou marihuana) é o termo de origem mexicana para a planta fumada. A etimologia é incerta: há quem relacione a palavra ao nome “María Juana” e quem aponte origens em línguas indígenas ou no chinês, sem consenso.
Nos Estados Unidos, o termo se popularizou nos anos 1930, durante campanhas contra a planta que exploravam o preconceito contra imigrantes mexicanos. A lei federal de 1937 se chamava justamente Marihuana Tax Act. Por isso, parte do setor americano hoje evita a palavra e prefere “cannabis”. Em português, a palavra deu origem ao apelido maria-joana.
Cânhamo: a cannabis com pouco THC
Cânhamo (hemp, em inglês) é o nome dado às variedades de cannabis cultivadas para fibra, sementes, óleo de semente e, mais recentemente, extração de CBD. A diferença para a maconha não é de espécie, e sim de química: o cânhamo tem teor muito baixo de THC.
- Nos Estados Unidos e na União Europeia, o limite legal costuma ser de 0,3% de THC no peso seco da planta.
- Com esse teor, a planta não produz efeito psicoativo relevante.
- O cânhamo é usado em tecidos, cordas, papel, bioplásticos, materiais de construção, alimentos e cosméticos.
No Brasil, o tema avançou na Justiça: em 2024, o Superior Tribunal de Justiça autorizou o cultivo de cânhamo com até 0,3% de THC para fins medicinais e farmacêuticos e determinou que o governo regulamentasse a atividade. Veja os detalhes em cânhamo no Brasil e usos do cânhamo industrial.
Haxixe, skunk e prensado: nomes de formas, não de plantas
Outra confusão comum é tratar haxixe, skunk ou prensado como plantas diferentes. Eles são formas ou qualidades da mesma cannabis:
- Haxixe: a resina concentrada da planta. A palavra é árabe e significa “erva”.
- Skunk: originalmente o nome de uma linhagem criada nos EUA nos anos 1970; no Brasil, passou a designar flores com alto teor de THC.
- Prensado: maconha compactada em tijolos, geralmente de qualidade inferior.
Por que o nome importa
A escolha da palavra não é só uma questão de estilo. Ela muda o tom e, às vezes, o sentido da conversa:
- Na ciência e na medicina, “cannabis” é o termo padrão, porque é preciso e livre de estigma.
- Na lei brasileira, a Lei de Drogas e as decisões do STF falam em “maconha” ou “Cannabis sativa”.
- Na indústria, “cânhamo” separa produtos sem efeito psicoativo dos demais.
- Na cultura, “ganja” e outros apelidos carregam identidade, música e história.
Ao pesquisar informações confiáveis, vale buscar pelos dois termos, “maconha” e “cannabis”, porque estudos e notícias usam ambos. E lembre que, independentemente do nome, a planta segue proibida no Brasil fora das vias medicinais reguladas; veja o que decidiu o STF sobre o porte.
Texto informativo e cultural. Não incentiva nem descreve práticas de uso. Para informação de saúde, veja redução de danos.
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Perguntas frequentes
Ganja e maconha são a mesma coisa?
Sim. Ganja é o nome de origem indiana para as flores secas da cannabis, as mesmas que no Brasil são chamadas de maconha.
Qual a diferença entre cannabis e maconha?
Cannabis é o nome científico da planta. Maconha é o nome popular das variedades com THC suficiente para efeito psicoativo. Toda maconha é cannabis, mas o cânhamo, por exemplo, é cannabis e não é maconha.
Cânhamo dá efeito?
Não de forma relevante. O cânhamo tem teor muito baixo de THC, geralmente até 0,3%, e é cultivado para fibra, sementes e extração de CBD.
De onde vem a palavra maconha?
A hipótese mais aceita é que venha de línguas bantas, como o quimbundo, trazidas ao Brasil por africanos escravizados.
Por que os americanos falam marijuana?
O termo veio do espanhol mexicano e se popularizou nos EUA nos anos 1930, em campanhas contra a planta. Hoje muitos preferem dizer cannabis.
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Fontes e referências
- Linnaeus C. Species Plantarum. Estocolmo, 1753.
- Lamarck JB. Encyclopédie Méthodique: Botanique, vol. 1. Paris, 1785.
- McPartland JM. Cannabis systematics at the levels of family, genus, and species. Cannabis and Cannabinoid Research, 2018.
- Russo EB. History of cannabis and its preparations in saga, science, and sobriquet. Chemistry & Biodiversity, 2007.
- Superior Tribunal de Justiça. Incidente de Assunção de Competência no REsp 2.024.250 (IAC 16), novembro de 2024.
- Houaiss A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, verbete “maconha”.







