A maconha talvez seja a planta com mais apelidos no português do Brasil. Ganja, erva, beck, baseado, bagulho, diamba, maria-joana: cada nome nasceu em uma época, região ou grupo social diferente, e muitos carregam histórias curiosas. Há também um vocabulário próprio para os efeitos, os objetos e as situações ligadas ao uso.
Este dicionário reúne as gírias mais conhecidas, com o significado de cada uma. O objetivo é informativo e cultural: entender a linguagem ajuda a acompanhar conversas, músicas, notícias e o próprio debate público sobre a planta.

Livro Maconha: Os Diversos Aspectos, da História ao Uso
Traz a maconha no contexto brasileiro, da história aos usos, e ajuda a entender de onde vêm muitos dos nomes populares.
Ver no Mercado Livre →Link de afiliado: podemos receber comissão, sem custo extra para você. Preço e estoque podem variar.Resposta rápida
As gírias da maconha se dividem em nomes da planta (ganja, erva, bagulho), do cigarro (baseado, beck), de objetos (seda, piteira, dichavador) e de efeitos (brisa, larica, lombra).
- Nomes mais antigos, como diamba, liamba e pango, vêm de línguas africanas.
- Ganja veio da Índia via Jamaica e reggae.
- Maria-joana é adaptação do inglês e do espanhol marijuana.
- Beck e baseado são os nomes mais comuns para o cigarro.
- Larica é a fome intensa provocada pelo THC.
Por que a maconha tem tantos apelidos
Linguistas e antropólogos apontam três motivos principais. Primeiro, a proibição: falar de algo ilegal estimula códigos e eufemismos. Segundo, a diversidade cultural: a planta chegou ao Brasil com africanos escravizados, ganhou nomes regionais e, mais tarde, recebeu termos vindos da música, da internet e do inglês. Terceiro, a identidade de grupo: gírias funcionam como marcadores de pertencimento.
Por isso o vocabulário muda rápido. Algumas palavras desaparecem, outras viram nome de banda, de marca ou de música e passam a ser conhecidas por quem nunca teve contato com a planta.
Nomes históricos de origem africana
Os nomes mais antigos da maconha no Brasil vêm de línguas bantas, faladas em regiões de onde vieram muitos africanos escravizados:
| Nome | Significado e uso |
|---|---|
| Maconha | O nome mais comum; origem atribuída ao quimbundo |
| Diamba | Muito usado no Nordeste e nos registros policiais do início do século 20 |
| Liamba | Variação de diamba, também de origem banta |
| Pango | Nome usado no Rio de Janeiro do século 19, como em “pito do pango” |
| Fumo de Angola | Nome que indicava a origem africana atribuída à planta |
Esses termos aparecem em documentos oficiais, jornais e estudos do século 19 e começo do século 20, e hoje são raros no uso cotidiano. Saiba mais em história da maconha no Brasil.
Gírias para a planta
- Ganja: do hindi, chegou ao Brasil pelo reggae. Veja o que é ganja.
- Erva: tradução direta de herb, termo muito usado na cultura rasta.
- Bagulho: gíria genérica para “coisa”, que acabou associada à maconha.
- Maria-joana: adaptação de marijuana, comum nos anos 1970 e 1980.
- Verdinha: referência à cor da planta.
- Fumo: termo antigo, também usado para o tabaco.
- Marofa: na origem, o cheiro forte da fumaça; por extensão, a própria maconha.
- Prensado: maconha compactada em tijolos, de qualidade geralmente inferior.
- Skunk ou flor: maconha com mais THC, vendida em flores inteiras.
- Camarão: gíria para a flor inteira, pelo formato curvado.
Gírias para o cigarro de maconha
- Baseado: um dos termos mais antigos e conhecidos para o cigarro de maconha.
- Beck: provavelmente o mais usado hoje, sobretudo entre jovens e em letras de rap.
- Fino ou fininho: cigarro de maconha bem fino.
- Bagana ou ponta: o resto final do cigarro.
- Blunt: palavra em inglês para o cigarro enrolado em folha de tabaco.
Se você pesquisou “o que é beck”, a resposta é simples: beck é gíria para o cigarro de maconha.
Gírias para objetos e acessórios
- Seda: o papel usado para enrolar o cigarro.
- Piteira: filtro ou bocal colocado em uma das pontas.
- Dichavador: triturador usado para moer a planta; daí o verbo dichavar.
- Bolar: verbo usado para “enrolar” o cigarro.
- Maricas: prendedor usado para segurar a ponta.
- Bong: cachimbo de água, palavra de origem tailandesa.
Para quem tem interesse em reduzir riscos, existe um guia específico sobre acessórios e uso consciente e outro comparando vaporizar ou fumar.
Gírias para os efeitos
| Gíria | Significado |
|---|---|
| Brisa | O efeito em si, a sensação de estar sob efeito |
| Chapado | Estar sob efeito intenso |
| Lombra | Efeito forte, às vezes com sensação de lentidão |
| Larica | Fome intensa provocada pelo THC |
| Bad ou bad trip | Experiência ruim, com ansiedade ou medo |
| Noia | Paranoia, desconfiança exagerada |
| Marola | Fumaça que fica no ambiente e afeta quem está perto |
A larica tem explicação científica: o THC ativa receptores CB1 no hipotálamo, região que regula o apetite. Já a “bad” costuma estar ligada a doses altas, ambientes desconfortáveis ou pouca experiência. Se isso acontecer, veja o que fazer quando alguém passa mal.
Gírias em inglês que chegaram ao Brasil
A internet, os filmes e a música trouxeram muitos termos do inglês:
- Weed: “erva daninha”, o nome mais comum nos EUA.
- Pot e grass: termos antigos, populares nos anos 1960 e 1970.
- Mary Jane: versão em inglês de maria-joana.
- Kush: originalmente, linhagens da região do Hindu Kush, no Afeganistão e Paquistão.
- 420: código numérico para a cultura canábica, com origem em um grupo de estudantes da Califórnia nos anos 1970.
Gírias, estigma e linguagem
Parte do vocabulário ligado à maconha é pejorativa. “Maconheiro”, por exemplo, costuma ser usado para desqualificar pessoas, e por muito tempo os nomes da planta estiveram associados a preconceitos contra a população negra e pobre, como mostram os estudos sobre a proibição no Brasil.
Na comunicação de saúde e nas reportagens, a recomendação é usar termos neutros, como “pessoas que usam cannabis”, e reservar as gírias para contextos culturais. O ClickGanja adota essa linha: usamos “maconha” e “cannabis” como termos principais e explicamos as gírias para que ninguém fique de fora da conversa.
Texto informativo e cultural sobre linguagem. Não incentiva nem descreve práticas de uso. Para informação de saúde, veja redução de danos.
Entre para a comunidade ClickGanja no WhatsApp
Guias novos, alertas sobre leis e Anvisa, dúvidas de cultivo e achadinhos com desconto. Grupos separados por tema, sem spam.
Perguntas frequentes
O que é beck?
Beck é uma gíria brasileira para o cigarro de maconha, muito usada entre jovens e no rap.
O que significa larica?
Larica é a fome intensa provocada pelo THC, que ativa receptores ligados ao apetite no hipotálamo.
De onde vem o nome maria-joana?
É uma adaptação para o português de marijuana, termo de origem mexicana que se popularizou nos Estados Unidos.
O que é diamba?
Diamba é um nome antigo para a maconha, de origem banta, muito usado no Nordeste e em registros do início do século 20.
O que significa brisa?
Brisa é a gíria para a sensação de estar sob efeito da maconha.
O que é dichavar?
Dichavar é moer ou triturar a planta, geralmente com um dichavador.
Leia também no ClickGanja
Fontes e referências
- Houaiss A. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, verbetes “maconha”, “diamba” e “liamba”.
- França JMC. História da maconha no Brasil. São Paulo: Três Estrelas, 2015.
- Saad L. “Fumo de negro”: a criminalização da maconha no pós-abolição. Salvador: EDUFBA, 2019.
- MacRae E, Simões JA. Rodas de fumo: o uso da maconha entre camadas médias urbanas. Salvador: EDUFBA, 2000.
- Russo EB. History of cannabis and its preparations in saga, science, and sobriquet. Chemistry & Biodiversity, 2007.







