CBD para epilepsia: evidências em Dravet, Lennox-Gastaut e esclerose tuberosa

A epilepsia é a área com a evidência mais forte para o CBD. Números dos principais ensaios, efeitos colaterais e os limites do que já foi comprovado.

O CBD para epilepsia é o uso médico da cannabis com a melhor evidência científica. Ensaios clínicos randomizados, publicados em revistas como o New England Journal of Medicine e o Lancet, mostraram que o canabidiol purificado reduz crises em três condições raras e graves: síndrome de Dravet, síndrome de Lennox-Gastaut e complexo da esclerose tuberosa. Para outras epilepsias, os dados ainda são limitados.

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Resposta rápida

Nos estudos principais, o CBD reduziu as crises em cerca de 37% a 49%, contra 13% a 27% no grupo placebo. A eficácia foi demonstrada como tratamento adicional aos anticonvulsivantes, não como substituto.

  • Doses estudadas: 10 a 20 mg/kg/dia (Dravet e Lennox-Gastaut) e 25 mg/kg/dia (esclerose tuberosa).
  • Efeitos adversos mais comuns: sonolência, redução de apetite, diarreia e alteração de enzimas do fígado.
  • Interação importante com clobazam e valproato.
  • Medicamento de referência: CBD purificado aprovado nos EUA em 2018.

Por que a epilepsia virou o caso modelo

Epilepsias graves da infância, como a síndrome de Dravet e a de Lennox-Gastaut, costumam resistir a vários anticonvulsivantes. Nos anos 2010, relatos de famílias que usavam extratos ricos em CBD, como o caso de Charlotte Figi nos EUA e o de Anny Fischer no Brasil, levaram a uma pressão por estudos rigorosos. Eles vieram, e mostraram benefício real, embora menor do que alguns relatos sugeriam. A história brasileira está em história da maconha no Brasil.

Resultados dos principais ensaios

CondiçãoEstudoRedução de crises com CBDRedução com placebo
Síndrome de DravetDevinsky et al., NEJM 2017 (20 mg/kg/dia)Crises convulsivas mensais caíram de 12,4 para 5,9 (cerca de 39%)Cerca de 13%
Lennox-GastautDevinsky et al., NEJM 2018 (GWPCARE3)Crises de queda: 42% (20 mg/kg) e 37% (10 mg/kg)17%
Lennox-GastautThiele et al., Lancet 2018 (GWPCARE4)Crises de queda: 44%22%
Esclerose tuberosaThiele et al., JAMA Neurology 2021 (GWPCARE6)Crises associadas: 49% (25 mg/kg)27%
Reduções medianas ou percentuais conforme reportado nos artigos.

Uma parcela menor de pacientes chegou a ficar livre de crises durante os estudos, mas isso foi exceção. Com base nesses dados, a FDA aprovou o CBD purificado em 2018 para Dravet e Lennox-Gastaut e, em 2020, para esclerose tuberosa.

Efeitos adversos e cuidados

  • Sonolência e cansaço: mais frequentes quando há uso de clobazam.
  • Redução de apetite e perda de peso.
  • Diarreia.
  • Elevação de enzimas do fígado: mais comum com valproato; exige exames periódicos.

Entenda as interações em interações medicamentosas do CBD.

E outras epilepsias?

Para epilepsias focais e outras síndromes, as evidências ainda são menores, vindas de estudos abertos e observacionais. Há também debate sobre extratos full spectrum versus CBD purificado: uma meta-análise de dados observacionais sugeriu respostas com doses menores com extratos, mas com limitações metodológicas importantes. Veja efeito comitiva e tipos de extrato.

O que perguntar ao neurologista

  • O tipo de epilepsia do meu filho (ou meu) tem evidência para CBD?
  • Qual produto e concentração, e por quê?
  • Como será o aumento de dose e em quanto tempo avaliamos a resposta?
  • Quais exames faremos (enzimas do fígado, níveis de outros remédios)?
  • Algum anticonvulsivante precisará de ajuste?

Nunca suspenda anticonvulsivantes para iniciar CBD. A interrupção brusca pode causar crises graves. Qualquer mudança deve ser feita pelo neurologista.

Para acessar o tratamento no Brasil, veja os 4 caminhos legais e como funciona a receita.

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Perguntas frequentes

CBD funciona para epilepsia?

Sim, em síndromes específicas. Ensaios clínicos mostraram redução de crises na síndrome de Dravet, na de Lennox-Gastaut e no complexo da esclerose tuberosa, como tratamento adicional.

Qual a dose de CBD para epilepsia?

Nos estudos, de 10 a 25 mg por kg por dia, atingidos de forma gradual. A dose deve ser definida pelo neurologista.

O CBD substitui os anticonvulsivantes?

Não. Os estudos avaliaram o CBD como tratamento adicional, e a suspensão de outros remédios só pode ser feita pelo médico.

Quais os efeitos colaterais do CBD na epilepsia?

Sonolência, redução de apetite, diarreia e elevação de enzimas do fígado, principalmente em combinação com valproato.