O cânhamo no Brasil mudou de status em 2026. Por determinação do Superior Tribunal de Justiça, a Anvisa publicou um pacote de quatro resoluções que, pela primeira vez, permitem o cultivo de Cannabis sativa com até 0,3% de THC por empresas autorizadas, instituições de pesquisa e associações de pacientes selecionadas. Pessoas físicas continuam sem autorização administrativa para plantar.

O Livro da Maconha: o guia completo sobre a Cannabis – Julie Holland
Do cânhamo industrial à cannabis medicinal, um guia amplo para entender por que a mesma espécie tem usos e regras tão diferentes.
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A RDC 1.011/2026 retirou a cannabis com até 0,3% de THC da lista de plantas proscritas da Portaria 344/1998. As RDCs 1.012, 1.013 e 1.014 regulamentam, respectivamente, cultivo para pesquisa, cultivo por empresas para fins medicinais e farmacêuticos e o cultivo por associações.
- Origem: decisão do STJ de novembro de 2024 que mandou regulamentar o cultivo de cânhamo para fins medicinais.
- Aprovação: Diretoria Colegiada da Anvisa, 28 de janeiro de 2026.
- Vigência das regras de cultivo: agosto de 2026.
- Cultivo por pessoa física continua dependendo de decisão judicial.
Cânhamo, maconha e o limite de 0,3%
Botanicamente, cânhamo e maconha são a mesma espécie. A diferença é regulatória: chama-se cânhamo a planta com baixo teor de THC, em geral até 0,3% no peso seco, limite adotado nos Estados Unidos, no Canadá e, agora, no Brasil. O cânhamo pode ter muito CBD, o que o torna matéria-prima para produtos medicinais, além de fibras e sementes. Conheça os usos em usos do cânhamo industrial.
Linha do tempo
| Data | O que aconteceu |
|---|---|
| Nov. 2024 | A Primeira Seção do STJ autoriza empresas a cultivar cânhamo com até 0,3% de THC para fins medicinais e farmacêuticos e dá prazo para a União regulamentar. |
| 2025 | O prazo é prorrogado; a Anvisa abre consultas e prepara as normas. |
| 28 jan. 2026 | A Diretoria Colegiada aprova as RDCs 1.011 a 1.015. |
| 3 fev. 2026 | Publicação no Diário Oficial da União. |
| Ago. 2026 | Entram em vigor as regras de cultivo, com guia de implementação da Anvisa. |
As quatro resoluções, uma a uma
RDC 1.011/2026: a mudança na lista
Atualiza o Anexo I da Portaria 344/1998 e retira a Cannabis sativa com até 0,3% de THC da lista de plantas proscritas. É a base jurídica que permite as demais atividades. Plantas acima desse limite continuam proibidas, salvo exceções para pesquisa.
RDC 1.012/2026: pesquisa
Permite o cultivo por instituições de ensino e pesquisa, com Autorização Especial. Nesse caso pode haver plantas com mais de 0,3% de THC, desde que obtidas por importação autorizada. O material de pesquisa não pode ser comercializado nem entregue a pacientes.
RDC 1.013/2026: empresas, para fins medicinais e farmacêuticos
- Exige Autorização Especial da Anvisa e inspeção prévia da vigilância sanitária local.
- A empresa precisa de um Plano de Controle e Monitoramento (acesso, vídeo, rastreabilidade, análises de THC, armazenamento e destruição).
- Se uma análise passar de 0,3% de THC, o lote é segregado e destruído, e a vigilância deve ser avisada em até 48 horas.
- A autorização de cultivo não inclui extração nem fabricação, que dependem de outras licenças.
- Sementes e mudas seguem regras do Ministério da Agricultura (MAPA), como registro de cultivares.
RDC 1.014/2026: associações
Cria um instrumento para associações de pacientes sem fins lucrativos, selecionadas por editais de chamamento público, com projetos de pequena escala e em ambiente controlado. A norma não autoriza venda ao público geral. Entenda o papel dessas entidades em associações de cannabis medicinal.
Para se aprofundar
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O que continua proibido ou pendente
- Cultivo por pessoas físicas, inclusive para uso medicinal, sem decisão judicial. Veja habeas corpus para cultivo.
- Cultivo de plantas com mais de 0,3% de THC fora da pesquisa autorizada.
- Usos industriais amplos (têxtil, construção, alimentos) ainda dependem de regulamentação específica, sobretudo do MAPA.
- Venda de flores ou planta in natura ao consumidor.
O que muda para o paciente
No curto prazo, pouco: o cultivo nacional deve, com o tempo, aumentar a oferta de matéria-prima e reduzir a dependência de importação, o que pode baratear produtos. As regras de compra e receita estão na RDC 1.015/2026.
Conteúdo informativo, baseado em resumos públicos das normas. Para projetos de cultivo, consulte o texto oficial no Diário Oficial e assessoria regulatória especializada.
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Perguntas frequentes
O cânhamo foi liberado no Brasil?
Em parte. Desde 2026, empresas autorizadas, instituições de pesquisa e associações selecionadas podem cultivar cannabis com até 0,3% de THC, sob regras da Anvisa. Pessoas físicas não.
O que é a RDC 1.011/2026?
É a resolução que retirou a cannabis com até 0,3% de THC da lista de plantas proscritas da Portaria 344/1998.
Posso plantar cânhamo em casa?
Não. As novas regras valem para pessoas jurídicas. Pessoas físicas dependem de decisão judicial.
O cânhamo pode ser usado para tecidos e construção no Brasil?
Esses usos ainda dependem de regulamentação específica; as normas de 2026 têm foco em fins medicinais, farmacêuticos e de pesquisa.
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Fontes e referências
- Kaktu. Plantar cannabis no Brasil ficou legal? O que a nova regra da Anvisa liberou (resumo das RDCs 1.011 a 1.015).
- Cannabis & Saúde. RDC 1.013: Anvisa publica resolução que regula o cultivo de Cannabis para uso medicinal.
- Gazeta do Povo. Novas regras da Anvisa para cultivo de Cannabis começam a valer (08/2026).
- Migalhas. STJ aprova regulamentação da Anvisa para cultivo medicinal da cannabis.
- AnvisaLegis. RDC nº 1.012, de 30/01/2026.
- Smoke Buddies. Anvisa estabelece regras para cultivo de cannabis para pesquisa (RDC 1.012/2026).








